A Cidade e a Rua: Uma aproximação Etnográfica à Vida Urbana
Instituição de acolhimento: CIES/ISCTE
Instituições participantes: CEHCP/ISCTE; CISSEI; FPCE/UP e FS/FCSH-UNL
Projecto de Investigação financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia: POCTI/ANT/57506/2004
Investigador responsável: Graça Índias Cordeiro
Investigador do CEHCP participante: Frédéric Vidal
(Julho de 2005 a Fevereiro de 2007)
Mais do que o tema, a rua é um problema a identificar e problematizar. A rua pode ser entendida como unidade mínima de vida urbana, lugar de sociabilidade que se desdobra em vários níveis e dimensões – de acção, interacção, diferenciação e socialização; transgressão e controlo social; circulação e inter-conhecimento; encontro e confronto; espaço de integração de funções (residenciais, laborais, de lazer), território impregnado de memórias, cenário e palco de cruzamentos sociais, de quotidianos diferenciados, de trajectórias e destinos individuais que interagem. A rua, nas suas extensões (lojas, associações, templos, praças, esquinas, até casas), é aqui perspectivada como uma síntese possível de «vida citadina», recorte etnográfico único para a exploração e o conhecimento da vida urbana contemporânea a partir de «baixo e de dentro».
Neste sentido, a rua não surge como unidade definida à priori, mas sim como objecto a identificar e a construir ao longo do próprio processo de investigação, unidade de observação dotada de uma significativa coerência social e cultural, com possibilidades de comparação que acrescentem conhecimento original a uma reflexão teórica sobre a cidade e suas dinâmicas sócio-culturais específicas.
Metodologicamente, a investigação organiza-se em torno de um conjunto de estudos de caso, social e culturalmente diferenciados, tanto do ponto de vista dos temas como dos contextos etnográficos de referência. Tais casos correspondem a percursos de pesquisa individuais, em diferentes fases de aprofundamento, contribuindo para uma leitura aberta que permita identificar padrões, regularidades e coerências, para lá das ambiguidades intrínsecas a estas realidades complexas. Tais investigações privilegiam o registo etnográfico, próximo da micro-escala do quotidiano, com recurso a métodos e técnicas diversificadas, tais como: observação, entrevista, análises situacional e de rede, pesquisa documental, de imprensa e arquivística, registo de imagem em suporte vídeo, eventualmente questionário.
Os lugares escolhidos são variados, em Lisboa e no Porto, desde centros históricos até subúrbios, em bairros (recentes, antigos, «populares», precários, pluriétnicos, de habitação social, de classe média) e outros tipos de espaço público ou privatizado.
Os enfoques temáticos desenvolvem-se a partir de vários pontos de vista: a rua como unidade de população temporalmente estável; a «ideia de rua» nos projectos e imaginário do urbanismo moderno vs a sua apropriação pelas populações que a ocupam; a rua dos polícias na acção de vigilância e controlo e nas representações profissionais e sociais; das sociabilidades juvenis entre a casa e bairro ou de formas de nomadismo urbano associados a práticas de comércio e consumo de droga; dos muçulmanos da África Ocidental em torno de práticas de geomância; de famílias hindus em processo de realojamento entre o templo e o centro comercial; a «vida de rua» em áreas suburbanas e urbanas mais ou menos sedimentadas.
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